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A complexidade da precificação do carbono e das soluções para adoção de uma taxação sobre atividades poluentes foi analisada no Fórum Economia Limpa pelos especialistas Gustavo Pimentel (diretor da Sitawi Finanças do Bem), Sérgio Leitão (diretor do Instituto Escolhas) e Suzana Kahn (coordenadora executiva do Fundo Verde da UFRJ). A dificuldade, entendem os palestrantes, tem relação com o impacto na competitividade da atividade econômica taxada.

Suzana Kahn argumentou que é necessária uma solução consensual e global. “Na Conferência Rio + 20 fizemos um exercício, lançando um mercado de carbono só no Rio de Janeiro. Surgiram argumentos da indústria, sobretudo das siderúrgicas, de que quem fosse taxado com um sobrepreço por causa do carbono certamente perderia competitividade”, disse a professora da UFRJ.

Outro ponto levantado por Suzana, no momento de se estabelecer um preço ao carbono, foi a origem da emissão. “Para o clima, tanto faz de onde vem o carbono. Mas para o nosso desenvolvimento não é a mesma coisa. No Brasil, vem do desmatamento, da agricultura e da energia. Mas, quando se inclui o setor agrícola, há um impacto muito grande na indústria de alimentos. É algo que precisa ser levado em consideração.”

O advogado e ambientalista Sérgio Leitão apresentou um estudo, realizado pelo Instituto Escolhas, que propõe ações no sentido de amenizar o impacto de uma precificação de carbono sobre a economia. A taxação sobre o carbono emitido atualmente no Brasil geraria uma arrecadação de R$ 34 bilhões, mas haveria aumento de desemprego, queda do PIB e da massa salarial. “Além disso, o efeito seria o contrário. O governo iria querer mais emissão de carbono, para que pudesse arrecadar ainda mais.”

“Percebemos que deve haver uma neutralidade tributária. Crio um imposto, mas enxugo outro existente. Nem aumento nem reduzo a arrecadação. Quando se faz isso, todos os efeitos negativos viram boas notícias: o PIB aumenta 0,5%, o emprego sobe 0,5% e conseguimos injetar R$ 17 bilhões na economia sem aumentar a carga tributária”, disse o ex-diretor do Greenpeace.

Eleito o melhor analista socioambiental para investidores na pesquisa global Extel IRRI 2015, o diretor da Sitawi Finanças do Bem, Gustavo Pimentel, apresentou a visão dos investidores sobre a precificação do carbono. “Começa a funcionar também no Brasil um movimento de precificação indireta. São investidores e atores do mercado financeiro que colocam o preço do carbono nos seus cálculos de risco e retorno de investimentos.”

Um dos caminhos, disse Gustavo, foi tornar transparente o conteúdo de carbono no portfolio dos investidores, movimento reforçado com o acordo firmado em Montreal, em 2014 (Montreal Pledge). “Depois, o governo francês obrigou, por lei, que todo investidor institucional francês informe o fator de emissão por Euro investido”, afirmou.

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