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A sociedade brasileira prestigia e incentiva a reciclagem no país, mas o sistema tributário acaba penalizando quem reaproveita o material. A análise foi apresentada pelo presidente executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego, durante mesa de debate sobre reciclagem no Fórum Economia Limpa. Hoje, o sistema tributário cobra duas vezes mais por produtos que utilizam matéria-prima reciclada em sua composição. “A precificação tem que caminhar para uma taxa de carbono. É inevitável e temos que nos preparar para isso”, afirmou.

O debate contou com a participação da gerente de sustentabilidade do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), Maria Helena Zucchi Calado, e do diretor-geral do Centro de Inovação em Sustentabilidade para Eletrônicos (Sinctronics), Carlos Ohde, que falaram sobre o trabalho desempenhado pelas empresas com a logística reversa, mecanismo que viabiliza a destinação adequada das embalagens descartadas.

“Vamos criar uma recicladora dentro do sistema, que produza novas embalagens a partir das que são recolhidas e vendidas para a própria indústria, reinvestindo no próprio processo. A resina reciclada não perde em nada para a resina virgem. Porém, inexiste incentivo tributário”, afirmou Maria Helena. Para ela, existe tecnologia disponível para que a reciclagem produza produtos tão bons quanto os originais.

Carlos Ohde destacou ainda que existe preconceito quanto ao produto reciclado, mas que isso deve ser combatido com uma série de ações que envolvem atores de grande porte, sociedade e, principalmente, o governo, além de ações de marketing. “Reciclagem não é só deixar o ambiente mais limpo, é mudar fundamentalmente a economia. O governo vê com bons olhos a operação, mas não há incentivo à reciclagem. A lei prevê que quem preserva deve receber e quem polui deve pagar, mas isso ainda não foi colocado em prática”, afirmou.

O sucesso da lata de alumínio para bebidas, lembrou Milton Rego, reforça a necessidade de se buscar uma política tributária mais preocupada com o impacto ambiental. Apesar de a lata ter apresentado em 2014 uma taxa de reciclagem de 98,4%, tornando o país líder nesse segmento, o mesmo material reciclado é tributado infinitas vezes.

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