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O reforço às políticas públicas ambientais para assegurar uma economia de baixo carbono foi defendido pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, no discurso de abertura do evento, destacando que a economia limpa é pauta importante do ministério e não serão permitidos retrocessos.

“As políticas ambientais não podem ser vistas como entraves ao crescimento econômico, mas como a verdadeira solução para obtermos um padrão de desenvolvimento sustentável com inclusão social e respeito ao meio ambiente. Se bem aplicadas, terão efeitos positivos para a economia”, disse Sarney Filho. Para o ministro, ainda há espaço para aprimoramentos e ajustes, como no caso das regras operacionais de licenciamento ambiental e das metas climáticas, caminhando no rumo certo para colocar a produção e a geração de riqueza do mesmo lado da defesa do meio ambiente.

A aprovação na Câmara dos Deputados do requerimento de urgência para a ratificação do Acordo de Paris, que tem como objetivo dar mais rapidez à validação nacional do pacto mundial para frear as emissões de carbono, também foi destaque no discurso do ministro. Para ele, uma das novidades desse acordo foi estabelecer a reorientação dos fluxos financeiros globais para atividades compatíveis com uma trajetória de baixas emissões de gases nocivos ao meio ambiente e que se adaptem à mudança do clima. “Serão oportunidades para ampliarmos a captação externa de investimentos em atividades de baixa emissão. Para tal, precisamos estabelecer um diálogo fluido com o setor financeiro e estudar como criar os instrumentos mais adequados. Os custos iniciais para enfrentar a mudança do clima podem ser elevados, mas os benefícios de tomarmos medidas arrojadas e coordenadas em escala nacional terão efeito de longo prazo para a economia e para a sociedade”, finalizou.

A respeito da economia circular, o que o senhor acha necessário para as pessoas começarem a pensar melhor sobre consumo e produção sustentáveis?

Já estamos notando que os efeitos das mudanças climáticas de hoje atingem a todos. As pessoas começam a se conscientizar a partir do momento em que elas sofrem na pele os efeitos dessas mudanças. Estamos vendo que, por parte de determinados segmentos muito reativos à questão das mudanças climáticas, como o do agronegócio, já há uma conscientização maior. Eles já sabem que o regime de chuva está mudando, sabem da importância dos serviços ambientais dos ecossistemas. Isso também começa a se materializar em outros segmentos. É lógico que precisamos cada vez mais divulgar essa nova economia. O mundo já não aguenta mais esse padrão de consumo e de produção.

 

O senhor acha que há necessidade de o Estado dar algum direcionamento no sentido de estimular o consumo e a produção mais sustentáveis?

Cabe ao Estado neste momento balizar esse tipo de desenvolvimento com sustentabilidade. No Ministério do Meio Ambiente, que não trata da área econômica, mas que cada vez mais busca a transversalidade, temos algumas ações que certamente ajudam a promover esse tipo de desenvolvimento. Vamos fortalecer as nossas unidades de conservação, transformá-las em destinos ecoturísticos e dar as condições para que essas mesmas unidades de conservação possam funcionar adequadamente, transformando a vida das pessoas que moram no entorno dessas unidades.

A tributação sustentável seria um caminho?

Precisamos cada vez mais dar incentivos econômicos, por exemplo, às energias renováveis. Não tem sentido não incentivar, neste primeiro momento, a importação de painéis solares sem imposto. Não tem sentido não incentivar que a indústria brasileira possa entrar nesse ramo construindo painéis solares, filtros solares. Enfim, esse é um caminho sim e o Estado tem grandes condições de induzir a um modelo de desenvolvimento.

Como o senhor enxerga os efeitos dessas ações a longo prazo? Qual a sua expectativa?

Acho que devemos nos apressar. Cabe a nós intensificar essas ações. Estive conversando com algumas pessoas sobre esses aspectos de energias renováveis e já existem alguns projetos no Congresso. Vamos agora nos reunir e tentar coordenar.  Não é bem minha área e é um momento difícil para se falar em isenção, mas se não tomarmos a iniciativa, isso não vai acontecer. Vou me propor a ser um desses motivadores no âmbito do governo.

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