Para garantir a sustentabilidade dos bens industrializados é preciso ter essa preocupação em todo o ciclo de vida do produto, desde a extração de matérias primas, passando por transporte, envio, consumo e reciclagem.

Não basta que os produtos sejam reaproveitáveis, é necessário também que as empresas deem auxílio para que o processo de reciclagem seja mais atraente. Do contrário, os materiais continuarão sendo descartados indevidamente.

“Todas as embalagens precisam de soluções. Alguns materiais já são recicláveis, outros ainda são um desafio”, explicou Juliana Marra, gerente de assuntos corporativos da Unilever, durante debate sobre o impacto da reciclagem na indústria no 2º Fórum Economia Limpa.

Realizado pela Folha, o evento acontece nesta terça (3) e quarta (4), no Tucarena, em São Paulo, com o patrocínio da Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio).

Indústria promove parceiros para ajudar na reciclagem de seus produtos

A Tetra Pak, produtora das caixas de leite longa vida, que já foi muito criticada pela dificuldade de reciclagem do material composto de plástico, papel e metal desenvolveu processos tecnológicos para lidar com o problema.

A empresa trabalha atualmente em parceria com outras 37 companhias que, no ano passado, conseguiram reaproveitar cerca de 60 mil toneladas, segundo Edy Merendino, gerente de desenvolvimento ambiental da marca.

Essas ações fazem parte do acordo setorial das empresas de embalagens, fechado há dois anos como parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A lei, assinada em 2010, determina que as empresas que produzem resíduos devem se responsabilizar também pela logística reversa.

No Brasil, o setor que mais recicla é o de latas de alumínio para bebidas. Em 2015, 97,9% de latas foram recicladas. Segundo Renault Castro, presidente executivo da Abralatas, o índice de reaproveitamento brasileiro é um dos maiores do mundo.

“Esse número não foi atingido por acaso, foi fruto do investimento da indústria fabricante”, afirmou Castro, citando investimentos de R$ 200 milhões nos últimos cinco anos. Segundo ele, como carro chefe das cooperativas, a reciclagem de latas acabou também por “puxar” o reaproveitamento de outros materiais menos lucrativos.

Pelo papel proeminente do alumínio na reciclagem brasileira, Castro defende que a indústria do setor deveria ter um tratamento tributário diferenciado por parte do poder público. “Solicitamos uma tributação menor para quem tem impacto socioambiental menor.”

Fonte: Galeno Lima – Folha de S.Paulo